Otelio Drebes inspira o empreendedorismo em Carlos Barbosa

Palestra jantar ocorre nesta quinta-feira, dia 5, no Clube Serrano 

Apaixonado pelo que faz, Otelio Drebes carrega em seus mais de 80 anos de história uma trajetória de empreendedorismo e dinamicidade. Fundador das Lojas Lebes e com mais de 120 palestras pelo Rio Grande do Sul, Drebes é gestor visionário que retribui todo o sucesso da Lebes ministrando eventos gratuitas de cunho social.

As palestras do empresário são famosas pelo Rio Grande do Sul e já percorreram o interior, região metropolitana, litoral e serra. Nos últimos dois anos seus ensinamentos já foram ouvidos por mais 60 mil pessoas no Estado e, recentemente, em Santa Catarina. Com cunho social, os eventos arrecadaram mais de 60 mil quilos de alimentos através da entrada franca com a doação de alimentos que beneficiaram mais de cem entidades carentes nos municípios onde palestrou.

Acompanhe a entrevista concedida à ACI Carlos Barbosa:

O senhor tem uma ampla história de muito trabalho e empreendedorismo sólido. Hoje, é possível ver muitos negócios de diferentes ramos surgindo, mas poucos perduram por mais de 5 anos no Brasil. Qual o conselho o senhor daria para empreendedores jovens ou que estão se lançando na esperança de “trabalharem menos” e serem os próprios chefes?

Otélio Drebes: Trabalhar menos não existe. A gente tem que trabalhar mais. Você tem que ser o primeiro a chegar e o último a sair. E para as empresas durarem, meu conselho é ter persistência. Algumas coisas não vão dar certo, mas servem de aprendizado. Você não pode desistir. Nem se culpar pelo que não sabe. O que você aprendeu vai ser usado mais tarde.
Sobre ser o próprio chefe, todo mundo deveria passar por essa experiência. Tenho minha empresa há mais de 60 anos e vi muitos colaboradores saindo para montarem seus negócios. Uns foram bem, outros não. E alguns, inclusive, voltaram para a empresa. Muitos acreditam que ser dono de uma empresa é fácil, mas não sabem que, às vezes, não dormes à noite. Porque tens contas e impostos para pagar, funcionários para aconselhar e mais uma dezena de responsabilidades. Há poucos dias, um garçom que trabalhou comigo saiu da empresa onde trabalhava e ganhava bem para abrir seu negócio. Em dois meses ele fechou o negócio e voltou a ser empregado. Disse que nunca trabalhou tanto e ganhou tão pouco.

São mais de oito décadas de vida, com uma carreira que iniciou ainda na infância. Hoje, o senhor é um agente transformador de vidas por meio de suas palestras. Como foi a decisão de iniciar essa trajetória de palestrante e quai os principais méritos e dificuldades dessa fase para o senhor?

Otélio Drebes: Em 2015, eu fiz o processo de Governança na Lebes. E precisei me desapegar daquilo que fiz durante 60 anos. Então, decidi que precisava fazer algo que fosse melhor ainda. O que eu sei fazer bem? Me comunicar! A partir daí, disse para minha família: vou ser palestrante. Na primeira palestra, em 2016, as pessoas me abraçavam, sorriam. Na segunda, mais ainda. Hoje já fiz mais 150 palestras, para mais de 80 mil pessoas. Porque eu não penso pequeno, tenho que ser o melhor. Se não sou o melhor palestrante, vou ser. Do estado e até do Brasil. A principal dificuldade que tive foi um professor de oratória que queria me mudar, que eu fosse igual a ele. Mas isso não iria acontecer. Tenho que ser do meu jeito. Quando eu quero fazer algo novo na palestra, eu testo. Se der certo, a gente continua. E assim vou até hoje.

O senhor construiu um império que atualmente soma 160 lojas e mais de 3 mil funcionários. Quando passou a presidência do grupo adiante, qual foi a sua sensação imediata? E como o senhor acompanha os rumos da empresa hoje?

Otélio Drebes: Eu me preparei muito bem para passar a presidência. Porque ninguém é eterno. E tem um momento certo para este sucessor assumir. Se passar do ponto, ele poderá perder o entusiasmo. Esperei o momento certo para que meu filho mais velho assumisse a empresa. O momento em que entreguei a presidência para ele foi de muita alegria. Porque sabíamos que a empresa teria continuidade. A Lebes está preparada para os próximos 50 anos. Hoje sou Presidente do Conselho de Administração. Meus sócios, que são meus filhos e netos, tem liberdade para trabalhar, mas prestam contas para o Conselho, que reúne profissionais externos e da empresa.

Conhecendo a trajetória de Carlos Barbosa como uma cidade empreendedora, quais as características de sucesso que o senhor consegue enxergar aqui?

Otélio Drebes: Temos loja aqui. Sei que é uma cidade de pessoas trabalhadoras. Quando eu penso em Carlos Barbosa, penso na Tramontina. Já passei uma manhã inteira conversando com Clóvis Tramontina.

Por fim, gostaria que o senhor explanasse sua opinião a respeito da existência de entidades de classe empresarial como a ACI Carlos Barbosa e como o senhor encara a união de empreendedores como agente de mudança na economia brasileira?

Otélio Drebes: Imagine muitas cabeças pensantes juntas! Se as pessoas soubessem a força que têm quando dão as mãos e todos pegam junto… E mais uma coisa: a troca de experiência entre colegas é que dá o grande resultado. O que é problema para um, o outro já sabe resolver. A união faz a força.



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